domingo, 4 de setembro de 2011


Casinha abandonada
 
Uma saudade me fez falar
Da casa velha onde nasci
Onde minha infância vivi
Como dói uma recordação
Vendo a casa abandonada
Onde foi minha morada
Hoje só encontrei solidão

A casinha velha lá do sertão
Encontrei muito diferente
A velha pedra do batente
Aumentou minha saudade
Como relógio não possuía
Uma marca na pedra servia
Pra marcar 1ª hora da tarde

Também senti uma saudade
Do meu velho pé de tangerina
Não avistei galo de campina
Nem um sabiá ali apareceu
Canário,tico-tico não avistei
O canto da juriti não escutei
Azulão na mata se escondeu

O velho pé de juazeiro morreu
Os pinheirais o tempo matou
A jabuticabeira não agüentou
Estava no mato o meu roçado
Acabou-se a velha moenda
Não tinha vizinho nem venda
Pela saudade ali fui torturado

Um velho chocalho pendurado
Do boi manhoso só lembrança
Como passado não se alcança
Fiz uma viagem na imaginação
Lembrei do vendedor de tecido
Por João de campina conhecido
Comprava e vendia na região

A noite nas debulhas de feijão
Papai ali forrava uma esteira
Café com bolo de macaxeira
Por mamãe logo era servido
Os vizinhos contavam piadas
Que saudade das gargalhadas
Do tempo que ficou esquecido
                                              
Não avistei pano estendido
Pois ali ninguém mais morava
Somente a saudade ocupava
Um espaço que feliz ocupei
Fui lembrando a minha escola
Do campinho e jogo de bola
Coisas que na memória guardei

Depois que pra cidade mudei
Conservar tudo isso não pude
Das minhas bolinhas de gude
Dos três buraquinhos no chão
Uma saudade machuca a gente
Foi naquele terreiro da frente
Que brinquei de ponteia e pião

A casinha velha lá do sertão
Foi abrigo de boa conversa
Recordar hoje me interessa
Ali a minha infância passei
Uma saudade invadia o peito
Daquele ultimo fogaréu feito
Vendo o velho fogão lembrei

De saudade eu quase chorei
Ao ver uma foice enferrujada
No abandono a velha enxada
Que papai trabalhou com ela
Ainda estava preso na parede
Os armadores da minha rede
Onde eu me balançava nela

Chorando debrucei na janela
Um filme veio na imaginação
Senti bater forte meu coração
Vendo uma ganga pendurada
Do boi manhoso que morreu
Aquela cobra que lhe mordeu
Por Mim foi muito procurada

A carroça ficou abandonada
Depois que manhoso morreu
Outro igual ali não apareceu
Pois manhoso só faltava falar
Era um animal bem mansinho
Era tratado com todo carinho
Me dá tristeza só de lembrar

Como dói na gente recordar
Uma infância boa que passou
Somente uma lembrança ficou
De quem foi morar na cidade
O meu sertão ficou deserto
Quem morava ali por perto
Deixaram somente saudade



Eu nem imaginava na cidade
Ali eu brincava toda tardinha
O pé de amêndoa sombreando
A frente da pequena casinha
A noite milho assado na brasa
Boas lembranças daquela casa
Quando se fazia uma festinha


Saudades da casa de farinha
Do beiju na palha de banana
Era alegre a serra de Santana
Na época das festas Juninas
Tinha quadrilha a noite inteira
E no clarão da grande fogueira
Uma paquera com as meninas

Sempre alegres as dançarinas
Ninguém ali falava em brigas
Era uma vida boa sem intrigas
Mas aquele tempo bom passou
Muitas coisas se modernizaram
As novidades se aproximaram
No sertão a coisa agora mudou

Radio de banca na roça acabou
O Dvd agora ocupa o seu lugar
A parabólica e telefone celular
Agora em quase toda casa tem
Lamparina candeeiro e lampião
Agora serve como recordação
Não tem serventia pra ninguém

De moto um vai e outro vem
Em animal ninguém quer andar
Em jumento não se escuta falar
Ate matuto agora ta em extinção
Já modernizaram o nosso forró
Eu que já fui tratado como bocó
Troquei o cabresto pela direção

Fazendo hoje uma comparação
Antigamente tudo era atrasado
Eu já fui trabalhador do roçado
Abri covas pra plantar semente
Hoje a plantação é na memória
Em poesia conto minha historia
Meu roçado de hoje é diferente

Hoje já não é como antigamente
Que a vida era mais sossegada
Ninguém tinha a casa assaltada
Podia ate dormir de porta aberta
Hoje se dorme tarde, acorda cedo
Qualquer coisa estranha dá medo
Tem que estar sempre em alerta

Tudo só presta na medida certa
Ate dinheiro demais transforma
Tem gente que perde sua forma
Quando se acha com o dinheiro
Pisa ate esquece que já foi pobre
Humilha e de orgulho se cobre
Pois em tudo quer ser o primeiro

A grana acaba vem o desespero
Passa a viver da falsa aparência
Se mantendo ainda na exigência
Achando que ainda estar podendo
Quem um dia já esteve por cima
Ao ficar por baixo muda o clima
Quem já viveu isso estar sabendo

Eu sou feliz como estou vivendo
Agradeço a Deus todos os dias
Nas horas vagas escrevo poesias
A minha historia não é inventada
Aqui agradeço a Deus novamente
Os versos que hoje retirei da mente
Aqui escrevi casinha abandonada.

Autor:Asavesso

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