Sou lá da roça!
Eu venho lá da roça
Meu carro é uma carroça
Meu arado um cultivador
Minha caneta uma enxada
Se tenho a mão calejada
É porque sou trabalhador
Seu moço eu fui criado
Cortando capim pra gado
Plantando milho e feijão
Me criei com leite e papa
Comendo beiju com garapa
Fubá de milho e pirão
Eu vim aprender rezar
Só depois de decorar
Um bocado de oração
Pai, nosso Ave-Maria
Nada disso eu sabia
Decorei do meu irmão
Mais aprendi agradecer
Ter fé e também dizer
Obrigado meu Senhor
Sou feliz de verdade
Nem me lembro da cidade
Morando no interior
Na roça onde eu nasci
Com meu velho pai aprendi
Plantar semente e colher
Cedo da manhã acordar
Ouvindo os passarinhos cantar
Alegrando o amanhecer
Aprendi tanger burro e cavalo
Rio de janeiro e São Paulo
Só de nome eu conheço
No curral tenho duas vaquinhas
Um terreiro cheio de galinhas
Que pra venda não tem preço
Em assombração não acredito
Também não sei falar bonito
De quase nada eu sei
Letra nenhuma eu conheço
Minha educação vem de berço
Porque nunca eu estudei
Respeito o povo da cidade
Mais minha felicidade
Sempre morou no sertão
Minha casa é uma palhoça
To acostumado com a roça
E as coisas de nossa região
Também aprendi respeitar
Falando esse meu linguajá
Não diminui o meu valor
Trove, promode e oxente
Essa é a linguagem da gente
Que mora no interior
Gosto de escrever poesia
É do meu dia, a dia
Quem vem a inspiração
Sou poeta caipira
Que preserva e admira
As belezas do sertão
Sou amigo dos passarinhos
Pois prender os bichinhos
É um gesto de maldade
Só quem não tem coração
Deixar um passarinho na prisão
É um ato de crueldade
Canários tico-tico e azulão
São pegos em alçapão
E depois são engaiolados
E com a liberdade presa
Sem direito a natureza
Vão vivendo aprisionados
A floresta é toda deles
Fazer isso com eles
É ofender a natureza
Use sua compreensão
Libertando eles da prisão
Deus agradece a gentileza
Ouvindo os passarinhos cantar
Na viola fico a dedilhar
Fazendo verso e canção
Sentindo o cheiro da mata
Ouvindo o som da cascata
Despejando no ribeirão
A mulher que me ama
De quase nada reclama
Também gosta do sertão
Minha casinha é singela
Mais mora lá dentro dela
Paz, amor e união
Não tenho nada de luxo
Mais se enche o bucho
Nossa comida é caseira
Cuscuz leite e qualhada
O doce é rapadura rapada
Quando eu compro na feira
Bolacha e pão não tem
Pois batata leite e xerem
Isso não pode faltar
Mesmo sem ter dinheiro
Me orgulho de ser um roceiro
O sertão é o meu lugar...
Eu venho lá da roça
Meu carro é uma carroça
Meu arado um cultivador
Minha caneta uma enxada
Se tenho a mão calejada
É porque sou trabalhador
Seu moço eu fui criado
Cortando capim pra gado
Plantando milho e feijão
Me criei com leite e papa
Comendo beiju com garapa
Fubá de milho e pirão
Eu vim aprender rezar
Só depois de decorar
Um bocado de oração
Pai, nosso Ave-Maria
Nada disso eu sabia
Decorei do meu irmão
Mais aprendi agradecer
Ter fé e também dizer
Obrigado meu Senhor
Sou feliz de verdade
Nem me lembro da cidade
Morando no interior
Na roça onde eu nasci
Com meu velho pai aprendi
Plantar semente e colher
Cedo da manhã acordar
Ouvindo os passarinhos cantar
Alegrando o amanhecer
Aprendi tanger burro e cavalo
Rio de janeiro e São Paulo
Só de nome eu conheço
No curral tenho duas vaquinhas
Um terreiro cheio de galinhas
Que pra venda não tem preço
Em assombração não acredito
Também não sei falar bonito
De quase nada eu sei
Letra nenhuma eu conheço
Minha educação vem de berço
Porque nunca eu estudei
Respeito o povo da cidade
Mais minha felicidade
Sempre morou no sertão
Minha casa é uma palhoça
To acostumado com a roça
E as coisas de nossa região
Também aprendi respeitar
Falando esse meu linguajá
Não diminui o meu valor
Trove, promode e oxente
Essa é a linguagem da gente
Que mora no interior
Gosto de escrever poesia
É do meu dia, a dia
Quem vem a inspiração
Sou poeta caipira
Que preserva e admira
As belezas do sertão
Sou amigo dos passarinhos
Pois prender os bichinhos
É um gesto de maldade
Só quem não tem coração
Deixar um passarinho na prisão
É um ato de crueldade
Canários tico-tico e azulão
São pegos em alçapão
E depois são engaiolados
E com a liberdade presa
Sem direito a natureza
Vão vivendo aprisionados
A floresta é toda deles
Fazer isso com eles
É ofender a natureza
Use sua compreensão
Libertando eles da prisão
Deus agradece a gentileza
Ouvindo os passarinhos cantar
Na viola fico a dedilhar
Fazendo verso e canção
Sentindo o cheiro da mata
Ouvindo o som da cascata
Despejando no ribeirão
A mulher que me ama
De quase nada reclama
Também gosta do sertão
Minha casinha é singela
Mais mora lá dentro dela
Paz, amor e união
Não tenho nada de luxo
Mais se enche o bucho
Nossa comida é caseira
Cuscuz leite e qualhada
O doce é rapadura rapada
Quando eu compro na feira
Bolacha e pão não tem
Pois batata leite e xerem
Isso não pode faltar
Mesmo sem ter dinheiro
Me orgulho de ser um roceiro
O sertão é o meu lugar...
Autor: asavesso
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